quarta-feira, 13 de julho de 2011

A perda de confiança na ordem atual

12/7/2011 13:18,  Por Leonardo Boff
 
Na perspectiva das grandes maiorias da humanidade, a atual ordem é uma ordem na desordem, produzida e mantida por aquelas forças e países que se beneficiam dela, aumentando seu poder e seus ganhos.

Essa desordem se deriva do fato de que a globalização econômica não deu origem a uma globalização política.

Não há nenhuma instância ou força que controle a voracidade da globalização econômica.

Joseph Stiglitz e Paul Krugman, dois prêmios Nobel em economia, criticam o Presidente Obama por não ter imposto freios aos ladrões de Wall Street e da City, ao invés de se ter rendido a eles.

Depois de terem provocado a crise, ainda foram beneficiados com inversões bilionários de dinheiro público. Voltaram, airosos, ao sistema de especulação financeira.confiança

Estes excepcionais economistas são ótimos na análise; mas, mudos na apresentação de saídas à atual crise.

Talvez, como insinuam, por estarem convencidos de que a solução da economia não esteja na economia, mas no ‘refazimento’ das relações sociais destruídas pela economia de mercado, especialmente, a especulativa.

Esta é sem compaixão e desprovida de qualquer projeto de mundo, de sociedade e de política. Seu propósito é acumular maximamente, apropriando-se de bens comuns vitais como água, sementes e solos e destroçado economias nacionais.

Para os especuladores, também no Brasil, o dinheiro serve para produzir mais dinheiro e não para produzir mais bens.

Aqui o Governo tem que pagar 150 bilhões de reais anuais pelos empréstimos tomados, enquanto repassa apenas cerca de 60 bilhões para os projetos sociais.

Esta disparidade resulta eticamente perversa, consequência do tipo de sociedade a qual nos incorporamos, sociedade essa que colocou, como eixo estruturador central, a economia, que de tudo faz mercadoria até da vida.

Não são poucos que sustentam a tese de que estamos num momento dramático de decomposição dos laços sociais.

Alain Touraine fala até de fase pós-social ao invés de pós-industrial.

Esta decomposição social se revela por polarizações ou por lógicas opostas: a lógica do capital produtivo cerca de 60 trilhões de dólares/ano e a do capital especulativo, cerca de 600 trilhões de dólares sob a égide do “greed is good” (a cobiça é boa). A lógica dos que defendem a maior lucratividade possível e a dos que lutam pelos direitos da vida, da humanidade e da Terra.

A lógica do individualismo que destrói a “casa comum”, aumentando o número dos que não querem mais conviver e a lógica da solidariedade social a partir dos mais vulneráveis.

A lógica das elites que fazem as mudanças INTRASSISTÊMICAS e se apropriam dos lucros e a lógica dos assalariados, ameaçados de desemprego e sem capacidade de intervenção.

A lógica da aceleração do crescimento material (o PAC) e a dos limites de cada ecossistema e da própria Terra.

Vigora uma desconfiança generalizada de que deste sistema não poderá vir nada de bom para a humanidade.

Estamos indo de mal a pior em todos os itens da vida e da natureza. O futuro depende do cabedal de confiança que os povos depositam em suas capacidades e nas possibilidades da realidade. E esta confiança está minguando dia a dia.

Estamos nos confrontando com esse dilema: ou deixamos as coisas correrem assim como estão e então nos afundaremos numa crise abissal ou então nos empenharemos na gestação de uma nova vida social, capaz de sustentar um outro tipo de civilização. Os vínculos sociais novos não se derivarão nem da técnica nem da política, descoladas da natureza e de uma relação de sinergia com a Terra.

Nascerão de um consenso mínimo entre os humanos, a ser ainda construído, ao redor do reconhecimento e do respeito dos direitos da vida, de cada sujeito, da humanidade e da Terra, tida como Gaia e nossa Mãe comum.

A essa nova vida social devem servir a técnica, a política, as instituições e os valores do passado. Sobre isso venho pensando e escrevendo já pelo menos há vinte anos.

Mas é voz perdida no deserto. “Clamei e salvei a minha alma” (clamavi et salvavi animam meam), diria desolado Marx.

Mas importa continuar.

O improvável é ainda possível.

As mais acessadas do CdB


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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Por que é comemorado o Corpus Christi?


No feriado de Corpus Christi católicos fiéis do mundo todo celebram o “Corpo de Cristo”.

Mas, o que exatamente significa isso e por que esse feriado não é comemorado sempre no mesmo dia, em todos os anos?

A festa de Corpus Christi celebra a presença do corpo e sangue de Cristo e é um dos sacramentos da Eucaristia.

Segundo as religiões cristãs, na quinta-feira santa, dia que antecedeu a sua morte, Jesus Cristo reuniu os seus apóstolos para a Última Ceia, quando disse: “Isto é o meu corpo (apontando para o pão), e isto é o meu sangue (apontando para o vinho)”.

Os católicos do mundo todo agradecem então, o dom da Eucaristia, no qual crêem que Deus é o alimento espiritual da alma.


Stock
A celebração da data teve início em 1193, por iniciativa da religiosa belga Juliana de Cornellon, que disse ter visto a Virgem Maria pedindo para que ela realizasse uma grande festa com o intuito de honrar o corpo de Jesus na Eucaristia.  
 
Anos mais tarde, em 1264, o papa Urbano IV consagrou a festa (que já acontecia) à Igreja Universal. 
 
Através da publicação da bula Transituru do Mundo, Urbano IV decretou a celebração como sendo oficial, e com a tríplice finalidade: honrar Jesus Cristo, pedir perdão a Jesus pelo que foi feito a ele e protestar contra aqueles que negavam a presença de Deus na hóstia sagrada.

De acordo com a Igreja Católica, durante a missa,  no momento em que o sacerdote proclama as palavras “Isto é o meu corpo e isto é o meu sangue”, ocorre o ato da transubstanciação, por meio do qual a substância do pão e vinho (neste caso, a hóstia e o vinho) se transforma no corpo e sangue de Cristo. 
 
Este é o momento mais importante de toda a celebração de Corpus Christi – as hóstias até então não consagradas, tornam-se consagradas.

iStock

Hóstias
As hóstias são feitas de farinha de trigo e água. Antigamente eram feitas apenas por religiosos, mas hoje em dia, a coisa mudou. Existem fábricas espalhadas pelo mundo todo que produzem apenas hóstias. Elas são comercializadas em pacotes de mil unidades. Não existe “fórmula secreta”, já que os ingredientes não podem variar, porém,  de acordo com os fabricantes, o segredo está em bater e cortar a massa, para que ela fique consistente e não esfarele quando for partida pelo padre durante a santa missa.  As hóstias têm ainda um prazo de validade – 6 meses – e, atualmente, são comercializadas até pela Internet. Mas, lembre-se, hóstia consagrada só mesmo após a transubstanciação.


Além da missa, outro ponto forte da celebração de Corpus Christi é a procissão.

Em muitas cidades é costume enfeitar as ruas por onde os fiéis passarão.

Para tanto, são confeccionados tapetes coloridos e feitos com os mais variados materiais como papel, serragem colorida, isopor, tampinhas de garrafas, flores, folhas e vidro moído.

Nesse tapete são confeccionados desenhos que lembram a figura de Jesus, o cálice e o pão.

Imagem cedida pela Prefeitura de Matão (SP)
 
No Brasil, algumas procissões são famosas, como a da cidade histórica de Ouro Preto, em Minas Gerais, que foi inclusive a primeira cidade brasileira a enfeitar as ruas nessa data. 
 
As cidades do interior do Brasil são as que mais se destacam no “quesito” procissões. 
 
Matão, no interior de São Paulo, realiza uma das procissões mais famosas do Brasil. 
 
Destaque também para as procissões de Castelo (ES), São José do Rio Preto (SP), Rodeio (SC), Cabo Frio (RJ), entre outras.

Imagem cedida pela Prefeitura de Matão (SP)

E quando se comemora Corpus Christi?
O feriado de Corpus Christi é uma das festividades móveis que giram em torno da Páscoa. A Páscoa é comemorada no primeiro domingo depois da lua cheia de 21 de março. Veja como funcionam essas festividades móveis que são calculadas a partir da Páscoa:

- Quaresma: período que compreende os 40 dias que antecedem a Páscoa;

- Domingo de Ramos:  domingo que antecede o domingo de Páscoa;

- Pentecostes: celebrado após 50 dias do domingo de Páscoa;

- Corpus Christi: celebrado na quinta-feira após o domingo de Pentecostes.

Para mais informações sobre Corpus Christi e assuntos relacionados, confira os links abaixo:

domingo, 19 de junho de 2011

BOPE abre caminho para a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora na Mangueira

Por Redação - Rádio Gospel FM

Homens do BOPE já estão na Comunidade da Mangueira
Homens do BOPE já estão na Comunidade da Mangueira

De acordo com o planejamento da Secretaria de Segurança, a Mangueira vai ser ocupada neste final de semana por forças do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque para a instalação da décima oitava Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Uma equipe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes e outra da 17ª DP, com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil, fizeram uma varredura naquela comunidade.

A nova unidade fecha o cinturão de segurança do Maciço da Tijuca, que compreende também as comunidades dos morros do Turano, Salgueiro, Formiga, Andaraí, Borel, Macacos e São João, todas próximas ao Maracanã e Maracanãzinho, dois dos principais equipamentos esportivos da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Com o fechamento deste cinturão, o trajeto até o complexo esportivo poderá ser feito desde a Zona Sul, passando pelo Centro da cidade, sem que se passe ao lado de favelas dominadas por traficantes.

No dia 19 de maio, o Bope, com o apoio de quatro batalhões, fez uma operação que envolveu 115 policiais militares, abrindo caminho para a ofensiva contra o tráfico. A incursão resultou na apreensão de drogas e a descoberta de um túnel de 200 metros, com revestimento e iluminação para abrigar traficantes. A mobilização foi ordenada pelo comando-geral da PM e faz parte da estratégia de enfraquecimento do tráfico.


Alemão e Penha terão UPPs até o fim do ano

A Secretaria de Segurança já implantou 17 UPPs, além da ocupação dos complexos do Alemão e da Penha, que devem ganhar nove unidades até o fim do ano. As 17 UPPs instaladas são: Santa Marta, em Botafogo; Cidade de Deus, em Jacarepaguá; Batan, em Realengo; Chapéu Mangueira/Babilônia, no Leme; Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, em Copacabana/Ipanema; Ladeira dos Tabajaras/Cabritos, em Copacabana; Providência, na Zona Portuária; Fallet/Fogueteiro, em Santa Teresa; Prazeres/Escondidinho, em Santa Teresa; São Carlos/Mineira, no Estácio; Turano, no Rio Comprido; Salgueiro, Formiga, Andaraí e Borel, na Tijuca: Macacos, em Vila Isabel; e São João/Matriz, no Engenho Novo.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Reunião França-Brasil História da Medicina - 1o. Comunicado

Reunião França-Brasil História da Medicina - 1o. Comunicado

 

 

Veja o clichê do Comunicado no final da seguinte matéria:

 

Professor de medicina da UEA, João Bosco Botelho, será o primeiro otorrinolaringologista honoris causa da América Latina


Com extensa formação acadêmica, mais de 200 publicações científicas e 15 livros no currículo, o professor do curso superior de medicina da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), João Bosco Botelho, 62 anos, será o primeiro médico otorrinolaringologista da América Latina a ser titulado doutor “honoris causa”. A honraria será atribuída pelo governo francês, em junho, em virtude da atuação relevante e dos serviços prestados pelo profissional amazonense.
Especializado em cirurgias de cabeça e pescoço, além de possuir diplomas de doutorado, pós-doutorado e livre-docência, Botelho desenvolve, atualmente, em conjunto com alunos da UEA e da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), pesquisa premiada internacionalmente sobre bócios  (aumento da glândula de tireóide) amazônicos. Ele também chefia o Departamento de Ensino Pesquisa da Fundação Adriano Jorge (FHAJ).
Na avaliação do professor, o reconhecimento do título “honoris causa”, em nível internacional, poderá impulsionar o cenário da medicina acadêmica local, ao fortalecer a comunidade científica do Estado. “Esse título pode representar maior agregação e entusiasmo de estudantes da área. Apesar de ser uma atribuição individual, isso é fruto de um trabalho coletivo”, defende.
Botelho, que construiu a carreira com apoio predominante de entidades públicas de ensino, afirma que a estrutura da rede de saúde mantida pelo Governo do Amazonas também cumprem papel relevante na conquista do título. “Considero ter uma dívida com o Poder Público porque nunca gastei um tostão. Sou um produto do investimento do Estado na formação de valores, o que me dá certeza de que preciso continuar esse legado na UEA e no Adriano Jorge”.
Atuação
         Entre os principais trabalhos feitos na UEA, onde ministrou a aula inaugural do curso de medicina, em 2001, João Bosco Botelho orientou estudo (em curso) produzido no laboratório de biotecnologia da instituição sobre a genética de bócios amazônicos. “Identificamos em portador de bócio de grande volume que o problema não foi ocasionado só pela falta de iodo e, por isso, ganhamos um prêmio na Suíça”, lembra.
         Na FHAJ – hospital-escola mais procurado da região Norte que recebe cerca de 800 estudantes de universidades públicas e privadas anualmente –, o professor liderou o processo de implantação, em parceria com universidades francesas, do programa de residência médica em otorrinolaringologia. A modalidade também foi levada ao Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) e outra unidade de saúde privada.
Currículo
         João Bosco Lopes Botelho é natural de Manaus, Amazonas. Graduou-se em medicina, em 1972, pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Fez doutorado em otorrinolaringologia e cirurgia cérvico-facial na Universidade de Paris VI Pierre et Marie Curie, em 1981, e pós-doutorado na Universidade de Paris VII Denis Diderot. Em 1999 obteve a livre-docência na Faculdade de Medicina de Valença, sendo o único do Estado com esse tipo de diploma.
         É professor titular aposentado orientador dos programas de mestrado e doutorado em Biotecnologia da Ufam. Ao longo da carreira, acumula diversas premiações, entre as quais a Medalha da Universidade do Porto; Medalha Frans Escher da Sociedade Suíça de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial; e Prêmio da Sociedade Francesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial.


Fotos: Nonato Duarte / AGECOM

--
Thiago Barros
Assessor de comunicação
Agência de Comunicação do Governo do Amazonas | Agecom
(92) 8153 7004

1o. Comunicado.jpg



segunda-feira, 18 de abril de 2011

Rui Falcão diz que FHC tem problema de entendimento

DAIENE CARDOSO - Agência Estado

O presidente interino do PT, deputado estadual Rui Falcão, que substitui José Eduardo Dutra na presidência nacional da sigla, ironizou hoje o fato de o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso estar afirmando que sua legenda não é elitista. "Acho que tanta explicação que ele está dando é porque tem algum problema de entendimento. Ele que continue a se explicar, pois nós vamos continuar do lado do povão", alfinetou o deputado, após participar de reunião com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre reforma política.
Depois de escrever artigo na revista "Interesse Nacional", em que defendeu que o PSDB deve buscar diálogo com a nova classe média e deixar o povão de lado, o tucano disse hoje, em entrevista para a Rádio Cultura FM, que Lula "mama na elite".
"O Lula, que era contra a privatização, agora está em Londres falando para a Telefónica e ganhando US$ 100 mil. O filho dele é sócio de uma empresa de telefonia. Eles aderiram totalmente às transformações que nós provocamos e ainda vêm nos criticar dizendo que estamos a favor da elite contra o povo, enquanto eles estão mamando na elite. Cabe isso?", disse o ex-presidente.
A troca de farpas começou com os comentários de Lula sobre o artigo de seu antecessor. "Não sei como alguém que estudou tanto depois diz que quer esquecer do povão", ironizou Lula. Rui Falcão questionou também a postura do PSD, legenda que está sendo recriada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, por não ser nem de direita, nem de esquerda, nem de centro.



sábado, 16 de abril de 2011

"Plano Cohen”, a “Carta Brandi” e o dossiê do Serra. A perna da mentira ficou mais curta (Paulo Henrique Amorim)



     
    CONVERSA AFIADA 
    Publicado em 01/09/2010

Na foto, Fernando Henrique (D) tenta salvar o jenio (E)
O Conversa Afiada tem o prazer de publicar os principais trechos de excelente artigo do amigo navegante Rogério Mattos Costa:

Receita Federal afirma que Verônica Serra autorizou abertura de seu sigilo fiscal. E a FOLHA é desmascarada. Mais uma vez.

Rogério Mattos Costa, Madrid, 01.09.2010

A Receita Federal afirmou ontem ter um documento, uma procuração da filha de Serra, com assinatura reconhecida em Cartório, autorizando a abertura de seu sigilo fiscal em 2008.

Mas a FOLHA, transformada em panfleto de campanha tucana, não disse nada sobre isso em sua matéria apócrifa de hoje, que não vem assinada por nenhum jornalista.

Algo que foi noticiado ontem até pelo próprio ESTADÃO no corpo de matéria publicada hoje.

É claro que, na manchete do combalido jornal dos Mesquita aparece apenas a denuncia de que “O sigilo da filha de Serra foi violado”, sem esclarecer que existiu o pedido da própria contribuinte, o que aparecerá apenas para os leitores que acessarem o corpo da matéria.

O Estadão faz uso de uma velha técnica de desinformação, retirada do manual do jornalismo de esgoto, que diz


“Se for impossível mentir, omita a verdade na manchete e mostre-a só no corpo da matéria. O efeito é quase o mesmo, pois grande parte do público, apesar de só ler a manchete, sai contando por você a mentira que você queria contar”.


Basta comparar a matéria da FOLHA aqui que coloca a filha de Serra e o próprio candidato como “vítimas”, com a matéria do ESTADAO, aqui para ver a má-fé de ambos, mas em especial, da FOLHA.

Segundo a Receita, a abertura foi feita a pedido de um homem, portando a autorização assinada, com firma reconhecida.


Falsificação: velha prática da direita e da sua imprensa.


Muito antes de Getúlio Vargas, os partidos de direita e famílias como os Marinho,  os Frias, os Mesquita e outros donos dos maiores meios de comunicação, acostumaram-se a fabricar “cartas” e “dôssies” para justificar golpes militares e enganar a população.


Especialmente, nas vésperas das eleições.

A novidade é apenas o tempo que leva para a mentira ser descoberta.

Foi assim com a célebre “Carta Brandi”, uma montagem de Carlos Lacerda, um jornalista que iniciou a carreira cobrindo crimes sanguinolentos e que no dia das eleições de 3 de outubro de 1955,que elegeram o presidente Juscelino, leu pela televisão uma carta de um deputado provincial argentino que dava detalhes de uma pretensa revolta para implantar a “república sindicalista do Brasil”.

Segundo Lacerda, que mais tarde virou governador da Guanabara, a carta havia sido escrita por um deputado argentino aos seus comparsas no Brasil e provava que a “sangrenta revolução”seria executada através de um levante de operários, realizado com armas contrabandeadas do país vizinho.

Mas tudo fora uma armação da UDN ( como se chamava o DEM naquela época) e do Carlos Lacerda,

A tal Carta do deputado peronista Antonio Brandi era falsa, como ficou comprovado em um Inquérito Policial Militar realizado pelo Ministério do Exército, presidido pelo General Emilio Maurell Filho, como descreve Edmar Morel em “Confissões de Um Repórter”.
Um depoimento do próprio deputado Antonio Brandi, um picareta que confessou ter ganho dois mil pesos para escrever a tal carta, mostrou que foi o próprio Lacerda que foi lá no interior da Argentina, numa cidadezinha chamada Goya, na fronteira do Brasil com a Argentina e  o Paraguai, produzir a tal carta com fotos e tudo.

Já na época, os golpistas e o “experto” Lacerda foram traídos por um pequeno detalhe: a máquina de escrever em que havia sido batida a tal “carta” tinha o “til” em separado, para usar sobre o “a” e sobre o “o”, como ocorre no português e no Brasil.

Ora, na Argentina e nos países de fala castelhana, só existe o “til” sobre o “n”, que é o “ñ” ( “enhe”)…

Lacerda havia levado uma máquina daqui do Brasil para escrever a carta na Argentina…e se deu mal nessa. O golpe não colou e JK foi eleito.

Os golpistas haviam superestimado o alcance da TV naquele tempo e deixado para “divulgar o plano dos sindicalistas” no dia das eleições. E afinal, nem todo mundo é bobo, como a direita sempre pensa.

Além do mais, essa não havia sido a única vez que golpistas tinham recorrido a “cartas secretas” e “dossiês” falsificados. O povo estava acostumado, como agora, com essas maluquices e pirotecnias da direita e seus jornais.

Já em 1921, duas cartas falsificadas, que teriam sido manuscritas, haviam sido publicada poucos dias antes das eleições pelo jornal “Correio da Manhã”, com grande destaque.

Elas continham pretensos insultos de Arthur Bernardes, então candidato, ao ex-presidente Marechal Hermes da Fonseca, presidente e aos militares, e ao candidato do governo, Nilo Peçanha, para prejudicar seu partido e indispô-lo com o Exército.

Mas Bernardes contratou peritos e provou na Justiça, que as cartas haviam sido falsificadas.

Outra vez um detalhe derrubou a tese do jornal e dos golpistas: os peritos mostraram que elas haviam sido escritas não por um, mas por dois falsários, chamados Jacinto Guimarães e Oldemar Lacerda e Bernardes era só um…

Em 1937, em outra empulhação, o “Plano Cohen”, um pretenso plano criminoso para os comunistas tomarem o poder, escrito na verdade pelo general Olímpio Mourão Filho, do serviço secreto do Exército, havia sido usada para justificar o golpe que criou a ditadura do Estado Novo.

No dia 30 de setembro, o general Goes Monteiro, chefe do estado maior, leu, na Voz do Brasil, no dia 30 de setembro de 1937, a denuncia sobre o “plano tenebroso” em que estudantes, operários e presos políticos libertados iriam seqüestrar e fuzilar imediatamente os ministros militares e civis, os presidentes da câmara e do senado, para implantar a “republica comunista” no Brasil, justificando uma ;época de repressão, censura, torturas e morte de opositores.

A fraude só foi descoberta oito anos mais tarde, em 1945, o próprio Goes Monteiro, reconheceu a fraude e pôs a culpa em Mourão Filho, que confessou ter escrito o documento a pedido do líder nazista brasileiro Plínio Salgado, apenas como uma simulação de como poderia ser um golpe comunista e ficou tudo por isso mesmo, nada tendo sofrido os falsários e impostores que tanto mal causaram ao Brasil.

O pior é que em 1964, o tal Mourão Filho foi um dos articuladores e executores do golpe militar de abril, que nos levou a 21 anos de ditadura, não só com censura, prisões, torturas e mortes, mas à dependência extrema, para tudo, do governo dos Estados Unidos da América. ,

Afinal, o golpista e falsário, em vez de ser punido e expulso das forças armadas como manda o regulamento, havia sido promovido a general e nomeado pelo próprio Jango  comandante do IV Exército em Minas Gerais…

O fabricante de histórias Frias, José Serra, derrotado pela internet e por você.

Serra é um impostor, a começar pelo próprio diploma de economista, que ele nunca apresentou ao público, mas ostenta em seu currículo no TRE.

Tal como Lacerda e os demais golpistas, Serra acredita firmemente que o povo é burro.

Foi assim também com o “Diploma que Serra recebeu na sede da ONU” de “melhor ministro  da saúde do mundo”, concedido por uma ONG corrupta sediada a poucos passos da sede do DEM em Curitiba.

Foi assim com o caso da Lunus, contra Roseana Sarney quando ela queria ser a anti-Lula em 2002, no lugar de Serra.

Foi assim com “o dossiê contra os gastos do cartão de FHC e da Dona Ruth”, vazado por um funcionário do gabinete do ex-governador tucano Álvaro Dias.

Foi assim no “dossiê dos aloprados”.

A especialidade de Serra agora é a de fabricar dossiês contra ele mesmo, para, com sua divulgação, fazer-se de vítima, como no caso do dossiê do sigilo.

Mas as coisas estão mudando, graças à internet e aos blogs, uma ferramenta ágil e acessível, que acabou com o monopólio dos jornalões.

Se você não sabia nada sobre o Plano Cohen, a Carta Brandi e as Cartas Falsas de Arthur Bernardes, agradeça às famílias Frias, Marinho, Mesquita e Civita, pois “eles” nunca falam nada sobre seus próprios crimes…

Se você gostou desse artigo, se achou que ele trouxe mais informação, espalhe-o na rede.

Faça sua parte na divulgação da História do Brasil que os donos da grande mídia comercial, o falso economista Serra e o PSDB não querem que o nosso povo conheça.


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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Os imigrantes, órfãos da globalização (Emir Sader)


Os imigrantes, órfãos da globalização

A situação dos trabalhadores imigrantes é das mais significativas do mundo contemporâneo.              A desregulamentação promovida pelo neoliberalismo permitiu o deslocamento dos capitais para qualquer parte do mundo que, por sua vez, pôde engajar força de trabalho nas melhores condições para eles.

Para tomar casos concretos de países que mais exportam mão-de-obra no nosso continente, El Salvador e Equador dolarizaram suas moedas, com as correspondentes consequências dramáticas que introduziram. Seguiram as indicações do FMI e se tornaram vitimas privilegiadas do livre comércio. Suas economias foram abertas, sua economia dolarizada, com um empobrecimento acelerado de toda a população e imigração maciça dos seus trabalhadores, buscando emprego e fontes de renda para envio às suas famílias.

El Salvador exportou maciçamente mão-de-obra para os EUA, o Equador para a Espanha. Trabalhadores que passaram a ser submetidos à superexploração da sua força de trabalho, seja por estar em condições de absoluta ilegalidade ou sem possibilidades de acolher-se às proteções possíveis do trabalho: legislação do trabalho, Justiça do Trabalho, sindicatos.

Eles se tornaram chave do ponto de vista econômico, porque as taxas de exploração da sua força de trabalho alimentam fortemente o processo de acumulação de capital. No caso dos EUA, se concentram – junto aos mexicanos e a outros imigrantes latino-americanos – no setor de serviços, que ganhou peso cada vez maior nesse país, conforme a estrutura produtiva foi em parte deslocada para outros países, com mão de obra muito mais barata – como México, China, entre outros.

No caso da Espanha, os trabalhadores equatorianos – junto a outros latino-americanos – alimentaram o boom da construção civil, motor do ciclo expansivo que explodiu recentemente por suas fragilidades na expansão do crédito, de forma similar ao que aconteceu nos EUA -, assim como se concentram nos trabalhos domésticos. Como sempre, trabalhos desqualificados, que não interessam aos trabalhadores espanhóis.

Esses trabalhadores são os mais fragilizados do ponto de vista da garantia dos seus direitos, em primeiro lugar, do emprego. Quando chegou a crise, foram os primeiros a perder seus postos de trabalho, com todas as consequências, antes de tudo a suspensão do envio de recursos para suas famílias nos seus países originários. Eles compõem o grosso das enormes taxas de desemprego nesses países – mais de 20% na Espanha e de mais de 45% entre os jovens, mesmo se uma parte deles não está computada, por estar em condições de absoluta informalidade.

Além da dimensão econômica do fenômeno, há as dimensões sociais e culturais. São submetidos a formas de marginalização, são discriminados, quando não diretamente criminalizados. Concentram assim os trabalhadores imigrantes alguns dos principais problemas do mundo contemporâneo.

Mas um caso ainda mais grave tornou-se um dos exemplos mais escandalosos de catástrofe humanitária. Se os trabalhadores latinoamericanos são aceitos em um país como a Espanha, mesmo com todas as limitações apontadas e outras mais, os africanos nem sequer conseguem chegar ao país. Fazem todos os esforços para tratar de chegar às costas espanholas, mas são simplesmente rejeitados. Semanalmente chegam nos mais diferentes tipos de embarcação, o que faz com que uma proporção alta não resista à travessia. Os outros são presos e devolvidos para os países de onde saíram.

Não há sequer estatísticas confiáveis sobre sua quantidade, mas são vários milhares, rejeitados ou mortos. Não existem como cidadãos, ninguém os representa, não possuem nenhum direito, são invisíveis. Os espanhóis se acostumaram a pequenas notas nos jornais sobre mais uma embarcação apreendida e o numero de prováveis mortos. Mesmo dispostos a trabalhar em quaisquer condições, nem sequer quando a economia espanhola crescia eram aceitos, menos ainda agora que o país tem uma economia literalmente falida.

São todos órfãos da globalização neoliberal. No caso dos africanos, os casos mais extremos, mais graves, mais desamparados. O livre comércio vale para as mercadorias e os serviços, mas não para os trabalhadores, os seres humanos.

Postado por Emir Sader às 02:27